Boa madrugada!
Eu queria muito escrever sobre os últimos dias, que foram muito complicados para mim, mas desanimei com a demora em conseguir ligar o computador, reconhecer a rede e acessar as páginas.
Eu vou dormir, porque preciso dormir. Já estou exausta o suficiente, então dormir é essencial.
Mas não queria deixar de registrar sobre os últimos dias, porque tenho medo de acabar empilhando e esquecendo.
Eu estava bem na segunda. Não era excelente, apenas o funcional mesmo, e com a pesada constatação da péssima relação que eu ando tendo com a comida, com os exageros, com engolir os sentimentos buscando sabores marcantes para aliviar as angústias... Mas terça-feira...
Terça-feira parecia que o mundo tinha explodido dentro de mim. Desregulei completamente, de sentir minhas tripas revirando por dentro. Sempre fui um poço de culpa. Mas agora eu me sinto culpada até mesmo por dormir. Porque quando durmo, é quase batata que filhote vai acordar urinado porque não botei ele para aliviar na hora certa. Porque quando durmo, perco a hora, perco treino, perco compromisso, perco o tempo da manhã com filhote. E depois passo o dia correndo atrás do próprio rabo, como um cachorro louco sem propósito, e no final não consigo dormir, e, quando durmo, o ciclo se repete. E se repete, e se repete.
É um ciclo de culpas, de vazios, de ausência de paz.
Eu tenho desregulado frequentemente e vejo como isso também tem afetado filhote. E não quero que ele seja refém dessa minha instabilidade. Como eu posso ajudá-lo a se regular se eu não consigo mais me regular? Se, de repente, eu estou bem, e começa a tocar alguma música escr*ta da hidroginástica dos infernos e eu desregulo? Se eu não consigo tomar um banho de sol? Se meu nível de cortisol está no máximo, sem baixar? Se eu estou o tempo todo me sentindo pressionada? Está muito difícil, muito mesmo. E eu vou mandar tomar no c* quem me disser que eu preciso relaxar. Porque, baralho, isso é óbvio. E, se fosse fácil, eu comprava e tomava de canudinho.
Ok, estou botando minha raiva para fora.
Terça eu acordei de novo com vontade de encerrar minha existência. Fazia quase um ano que esse pensamento não me assombrava. Então, tentei pensar o que estava me levando a isso de novo, e acredito que seja a sensação de culpa e a estagnação, e a falta de motivação para andar. Eu faço discursos lindos, mas não consigo botar em prática porque... simplesmente não sei. Estou me sentindo uma barata tonta movida a milk-shakes sabor "arrependimento". Ok, acho que consegui ilustrar parcialmente.
Quarta-feira, reunião na escola e, pela primeira vez, senti um verdadeiro alívio... Porque uma das coisas que mais me angustiam é que todos olham para o lado TEA, mas esquecem o lado AH. E, mano, não dá pra frear um carro no ponto morto descendo um ladeira desgovernado. E finalmente conseguir ouvir que "não podemos perder essas habilidades, essas áreas de interesse dele" me fez sentir finalmente ouvida. E isso deixou meu coração quentinho.
Então, eu estava melhorando, e fui pressionada. Gente, eu aceito ser pressionada pelo meu trabalho, mas não por outras pessoas aleatórias. E, bem, enfim, foi tanta coisa que eu nem consigo falar mais. Eu sei que, quando vi, eu estava tremendo, tremendo e gritando por dentro, apertando minhas mãos com força. E então eu fiz aquilo que estava adormecido: eu mordi minhas mãos. Eu mordi com força, com muita força, a ponto de ficarem as marcas. E enquanto eu fazia isso, eu me acalmava e também me dava conta que aquela era uma das técnicas de regulação que eu tinha. Quando criança, eu me mordia, quando me sentia culpada ou angustiada. Pior, eu mordi e chupava, o que deixava marcas muito arroxeadas ou pretas. Um dia fui alertada da confusão que isso poderia criar, então parei. Mas encontrei alívio fazendo outro tipo de machucado. Mais velha, passei a imaginar que eu quebrava copos mentalmente, para lidar com essa explosão de sentimentos. Até que isso não me satisfez mais. Então, voltei a morder, mas agora somente minhas mãos fechadas e sem sugar. Eu mordo mãos fechadas e joelhos.
No final do dia, apesar das crises, eu me regulei. Mas quinta eu acordei sentindo esse vazio de novo.
Tive dois pesadelos. Um nem chegava a ser um pesadelo em si, mas era algo estranho: precisava recuperar um backup de documentos de 1980 que foram digitalizados. Acordei com o barulho de urina, mas era só um aviso. Consegui botar filhote para urinar e finalmente acordou sem vazamentos!! Depois, adormeci e aí sim tive um pesadelo, em que estava numa festa de criança em que tudo começava bem, mas apareciam pessoas aleatórias e desconhecidas que me tocavam e me apertavam, penetras da festa fingindo proximidade, e eu fui ficando angustiada porque eu não fazia ideia de quem eram, ao mesmo tempo que não tinha certeza se eu podia reconhecer ou não... embora eu jamais fosse gravitar em volta de pessoas daquele perfil... Depois a recepção do local se recusou a me repassar a lista de convidados, e eu fui sendo encurralada. Ou seja, tive a quarta crise de ansiedade na mesma semana, DORMINDO.
Depois tive a quinta crise na academia, enquanto tentava fazer alguns exercícios.
Foi uma semana muito pesada. E eu sei que não tenho motivos reais para me sentir assim, mas é como se eu estivesse me perdendo de quem eu achava que eu era. Eu tô quebrada e sem possibilidade de remendo.
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