Não, este não é um post suicida. Também não é um post musical, embora seja do meu prazer duvidoso o hábito de brincar com as letras das canções que marcaram (positiva ou negativamente) a minha vida.
Este post é sobre um ato heroico. E eu juro que quando escrevo de acordo com o Novo Acordo Ortográfico, sinto uma angústia ao ver a palavra heroico. Parece que estou escrevendo um polissílado. Mas se assim o fosse, seria um hiato tônico, né? (Pausa para buscar no Google sobre hiatos tônicos para ver se não estou pensando besteira). Então, fato, se fosse um hiato tônico, esse "i" seria acentuado. Então o acento só marcaria mesmo que era um ditongo aberto... Ok. São quase 1 da manhã e estou aqui pensando sobre regras de acentuação, quando eu deveria estar escrevendo sobre o que aconteceu em Aldebaran. Não, sobre o que aconteceu em Taurus.
Daqui a 20 dias vai inaugurar um server latam oficial de RO. Seria uma chance de rebootar o bRO. Mas, cara, apesar do meu fetiche por Ragnarök Online - e um pouco de curiosidade, afinal, eu tive um histórico muito intenso com ess jogo -, só a ideia de instalar algo da Gravity no computador já me dá um p desânimo e uma preguiça mental. Pior que eu sei que, se não fosse a pane de toda vez que eu abria aquele jogo, eu perdia uma porta USB do meu computador da época (vida longa à Selece), ainda teria jogado por muito tempo. Não, não era saudável. Mas me rendeu bons personagens, algumas histórias envolventes, traumas, desilusões, piadas internas, distúrbios mentais e de sono. Enfim, uma salada.
E eu não consegui ainda alavancar os 28 dias. Mas uma hora sai. Monossílabo. Sai. Saí já é um hiato tônico.
Quando o Hiroshi abre mão do que sente pela Júlia, é uma parada muito louca. Eu penso que o relacionamento dos dois vai ser um slow burn, mas sem ser aquele nada acontece feijoada. As dicas estarão ali, o tempo todo... Começa com a parceria e as brigas. Depois vem um pouco do ciúme e da insegurança da Júlia. Rola o beijo sem pensar que o Hiroshi dá nela, e os 40 dias de chuva. Depois tem aquelas intrigas de sempre, Júlia tentando processar, Hiroshi passando aos poucos a vê-la por outro prisma. Pensem que o Hiroshi seria um pouco como deveria ser o Edward Cullen, um cara com 17 anos há 100 anos. Ele deve achar a Ju insuportável, porque ela é só uma adolescente mimada. Mas minha ideia é que a ingenuidade, a intensidade dela acabem relembrando o Hiroshi do que é ter algo para nortear. Ele já se acostumou com a ideia de ficar preso em Idrahala, já não tem mais nada a perder e nem sabe se haverá algo para voltar. Ao contrário do Fabicho que é louco para voltar, porque está preso há bem menos tempo que ele.
Então, no início, ele vai com ela em missões para Taurus e tá defecando para a possibilidade de ela ser a menina que vai cumprir a sua sétima missão. Só que aos poucos, ele começa a se sentir inseguro sobre o que sente por ela e passa a arranjar desculpas para não ir junto dela para a cidade. Ele vai arranjar algo que o atrase, vai combinar de encontrar com ela lá, vai pegar um portal sozinho fingindo que tá deixando ela largada para trás. No fundo, ele passa a ter medo de cumprir sua última missão.
Então, lentamente, ela vai deixando de gostar do Alvaro e vai sentindo coisas pelo coiso. Ele vai se tornando mais amável, embora eternamente implicante. Os dois começam a ter quase a conversar por telepatia e um começa a imaginar o que o outro faria ou falaria diante de uma determinada situação... Bem slow burn. Até que ela se declara pra ele. Eu quero que a Júlia tenha a iniciativa, que ela abra o jogo, ponha a cara a tapa, porque eu quero que seja conduza as suas escolhas, sabe? Seria o contraponto com aquela Júlia do início dos livros, que é insegura, que mapeia tudo o que o Alvaro gosta, mas não consegue funcionar perto dele... Eu quero que ela se ponha numa posição em que não tenha medo de se ferir, ou melhor, que até tenha medo, mas que prefira viver a dor da rejeição do que o medo de não tentar. Ela me pede isso.
E eles então vivem um pouco desse romance, com as incertezas sobre o que aconteceria caso eles se separem com o término das missões. E, claro, eu quero que, de vez em quando, a Flávia ou o Eduardo sonhem com o Hiroshi e a Júlia. Quero muito que esteja lá, nas entrelinhas. Porque eu sou cruel. Mas... enfim. Nesse processo todo, a Júlia vai ser quem mais vai se envolver com Idrahala. Ela vai ser a única que vai prestar atenção no Ancião ou descobrir sobre as ilhas e as cidades. Afinal, a Júlia vai ser a autora dos Contos de Idrahala, né? E a lenda da Ilha de Floratta, do amor impossível entre a filha de Záfir e o herdeiro de Sophie... A árvore central será a mesma árvore do pátio do EQUIP, que vai ser o portal por onde a Júlia vai transitar entre os mundos. Vão contar sobre um galho imenso que caiu da árvore num temporal, e que usaram esse galho para fazer a moldura do espelho que liga os dois mundos. Tudo conectado.
E então vem o sacrifício do Hiroshi. Para salvar a Júlia de um ferimento mortal, ele não tem outra saída a não ser levá-la a Taurus. Ele abre um pergaminho de portal e vai com ela, porque ela não fica em pé sozinha. Só que o lance é exatamente esse, a vontade dele salvá-la é maior do que o medo de nunca mais vê-la. Isso conclui sua missão. Antes de ele desaparecer, ele consegue entregá-la para a Naira, que já faz uma conexão de alma para curá-la. E então ele é arrastado para longe. Ele nomeia o vento e isso o faz sair da rota.
Quando ele vê, está em queda livre de uma altura de 12 mil pés. O vento, seu amigo de longa data, consegue ajudá-lo a planar. Só que ele não está sozinho. O mesmo vento também segura a queda de outra pessoa: um homem severamente machucado, o pai de Júlia. Hiroshi o reconhece como sendo o piloto misterioso que tentava sair de Idrahala sem fazer o pacto, então consegue se aproximar dele para que ele fosse também poupado da queda livre. Quando estão levitando sobre o chão, Hiroshi é atingido novamente pela magia da 7a missão, fazendo com que a consciência do pai de Júlia fosse parar em Idrahala, enquanto o antigo mago pula de dimensão para retornar ao seu antigo plano de origem.
É assim que a consciência do pai de Júlia vai parar em Idrahala, e foi o seu lamento que fez com que a filha fosse induzida a atravessar o espelho. Foi ele também quem criou a Paula, a arqueira quase maga amiga de Hiroshi, pensando em como a filha caçula que ele não veria crescer se tornaria. Por isso, a Paula lembra muito a Júlia, mas sendo mais moleca.
Também é assim que o pai de Júlia é encontrado quase morto e inconsciente, sem nada que o identificasse. E fica em coma por todos esses anos.
Quando Júlia finalmente consegue tirar o véu da consciência do pai e os dois se reconhecem, ela percebe que o pai está vivo. Só que isso desequilibra Idrahala e a única maneira de evitar que eles se separem novamente é ela invocar a sua última missão, ficando presa na terra mágica enquanto o pai retorna.
O herói inesperado nesse momento vai ser o Rafael, o mais novo dos três irmãos mais velhos da Júlia, que descobre os segredos dela lendo o diário da irmã. Ele aos poucos começa a entender as coisas e liga os pontos. E é assim que ele parte em busca de localizar o pai internado no momento em que a mente dele desperta em Mato Grosso do Sul.
Então, é revelada a última missão de Júlia: ajudar Idrahala a se manter, escrevendo sua história. Cada um de seus amigos escreve algum ou alguns capítulos da jornada (por isso o livro possui alguns POVs diferentes da narração de Júlia) e assim consegue cumprir seu pedágio. O livro de Júlia estava quase completo, já que seu diário sempre narrou tudo. Juntando todos os pedaços, todos aos poucos retornam para seus planos de origem. Fabicho é um dos primeiros inclusive - e isso explica os capítulos em Dã-ês.
Mas Júlia não podia deixar o Hiroshi de lado, e é por isso que tem trechos do seu escritor favorito no livro, que nada mais é que o pseudônimo usando por Hiroshi no seu mundo de origem. Ela descobre que ele se casou com a Flávia, e fica feliz que, de alguma forma, ele a encontrou no seu plano.
Por sua vez, quando ela termina seu relato, ela pergunta ao Ancião se poderia contar toda a história de Idrahala. Equilibrion permite, e ela continua sendo capaz de visitar a terra mística pela árvore do pátio da escola, sob a condição de ser uma narradora apenas, não podendo agir sobre o que acontecia lá dali em diante.
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