2025/05/26

Tentativa número 5899, Semana 1

Estamos começando mais uma tentativa de dar certo, ou de tentar dar menos errado.

Então, o jeito é tentar implementar pequenas mudanças por vez, metas pequenas, baby steps.

As metas desta semana são: 1) beber 2,5 litros de água por dia; 2) marcar dois exames médicos pendentes; 3) não jogar fora as comidas que comprei para a semana (ou seja, COZINHAR e 

2025/05/24

Caos interior, semana difícil

 Boa madrugada!

Eu queria muito escrever sobre os últimos dias, que foram muito complicados para mim, mas desanimei com a demora em conseguir ligar o computador, reconhecer a rede e acessar as páginas.

Eu vou dormir, porque preciso dormir. Já estou exausta o suficiente, então dormir é essencial.

Mas não queria deixar de registrar sobre os últimos dias, porque tenho medo de acabar empilhando e esquecendo.

Eu estava bem na segunda. Não era excelente, apenas o funcional mesmo, e com a pesada constatação da péssima relação que eu ando tendo com a comida, com os exageros, com engolir os sentimentos buscando sabores marcantes para aliviar as angústias... Mas terça-feira...

Terça-feira parecia que o mundo tinha explodido dentro de mim. Desregulei completamente, de sentir minhas tripas revirando por dentro. Sempre fui um poço de culpa. Mas agora eu me sinto culpada até mesmo por dormir. Porque quando durmo, é quase batata que filhote vai acordar urinado porque não botei ele para aliviar na hora certa. Porque quando durmo, perco a hora, perco treino, perco compromisso, perco o tempo da manhã com filhote. E depois passo o dia correndo atrás do próprio rabo, como um cachorro louco sem propósito, e no final não consigo dormir, e, quando durmo, o ciclo se repete. E se repete, e se repete.

É um ciclo de culpas, de vazios, de ausência de paz.

Eu tenho desregulado frequentemente e vejo como isso também tem afetado filhote. E não quero que ele seja refém dessa minha instabilidade. Como eu posso ajudá-lo a se regular se eu não consigo mais me regular? Se, de repente, eu estou bem, e começa a tocar alguma música escr*ta da hidroginástica dos infernos e eu desregulo? Se eu não consigo tomar um banho de sol? Se meu nível de cortisol está no máximo, sem baixar? Se eu estou o tempo todo me sentindo pressionada? Está muito difícil, muito mesmo. E eu vou mandar tomar no c* quem me disser que eu preciso relaxar. Porque, baralho, isso é óbvio. E, se fosse fácil, eu comprava e tomava de canudinho.

Ok, estou botando minha raiva para fora.

Terça eu acordei de novo com vontade de encerrar minha existência. Fazia quase um ano que esse pensamento não me assombrava. Então, tentei pensar o que estava me levando a isso de novo, e acredito que seja a sensação de culpa e a estagnação, e a falta de motivação para andar. Eu faço discursos lindos, mas não consigo botar em prática porque... simplesmente não sei. Estou me sentindo uma barata tonta movida a milk-shakes sabor "arrependimento". Ok, acho que consegui ilustrar parcialmente.

Quarta-feira, reunião na escola e, pela primeira vez, senti um verdadeiro alívio... Porque uma das coisas que mais me angustiam é que todos olham para o lado TEA, mas esquecem o lado AH. E, mano, não dá pra frear um carro no ponto morto descendo um ladeira desgovernado. E finalmente conseguir ouvir que "não podemos perder essas habilidades, essas áreas de interesse dele" me fez sentir finalmente ouvida. E isso deixou meu coração quentinho.

Então, eu estava melhorando, e fui pressionada. Gente, eu aceito ser pressionada pelo meu trabalho, mas não por outras pessoas aleatórias. E, bem, enfim, foi tanta coisa que eu nem consigo falar mais. Eu sei que, quando vi, eu estava tremendo, tremendo e gritando por dentro, apertando minhas mãos com força. E então eu fiz aquilo que estava adormecido: eu mordi minhas mãos. Eu mordi com força, com muita força, a ponto de ficarem as marcas. E enquanto eu fazia isso, eu me acalmava e também me dava conta que aquela era uma das técnicas de regulação que eu tinha. Quando criança, eu me mordia, quando me sentia culpada ou angustiada. Pior, eu mordi e chupava, o que deixava marcas muito arroxeadas ou pretas. Um dia fui alertada da confusão que isso poderia criar, então parei. Mas encontrei alívio fazendo outro tipo de machucado. Mais velha, passei a imaginar que eu quebrava copos mentalmente, para lidar com essa explosão de sentimentos. Até que isso não me satisfez mais. Então, voltei a morder, mas agora somente minhas mãos fechadas e sem sugar. Eu mordo mãos fechadas e joelhos.

No final do dia, apesar das crises, eu me regulei. Mas quinta eu acordei sentindo esse vazio de novo.

Tive dois pesadelos. Um nem chegava a ser um pesadelo em si, mas era algo estranho: precisava recuperar um backup de documentos de 1980 que foram digitalizados. Acordei com o barulho de urina, mas era só um aviso. Consegui botar filhote para urinar e finalmente acordou sem vazamentos!! Depois, adormeci e aí sim tive um pesadelo, em que estava numa festa de criança em que tudo começava bem, mas apareciam pessoas aleatórias e desconhecidas que me tocavam e me apertavam, penetras da festa fingindo proximidade, e eu fui ficando angustiada porque eu não fazia ideia de quem eram, ao mesmo tempo que não tinha certeza se eu podia reconhecer ou não... embora eu jamais fosse gravitar em volta de pessoas daquele perfil... Depois a recepção do local se recusou a me repassar a lista de convidados, e eu fui sendo encurralada. Ou seja, tive a quarta crise de ansiedade na mesma semana, DORMINDO.

Depois tive a quinta crise na academia, enquanto tentava fazer alguns exercícios.

Foi uma semana muito pesada. E eu sei que não tenho motivos reais para me sentir assim, mas é como se eu estivesse me perdendo de quem eu achava que eu era. Eu tô quebrada e sem possibilidade de remendo.

2025/05/14

Construção e Destruição (15.01.2006)

 A vida de cada pessoa é composta por três ciclos: o da construção, o da manutenção e o da destruição. Penso que podem ser resumidos a apenas o de construção (englobando o período de manutenção) e o de destruição.

Cada uma pessoa no mundo tem o seu próprio tempo de construção e o seu próprio tempo de destruição. Dificilmente, elas estarão em sintonia. Cada ciclo tem a sua importância e um não sobrevive sem o outro.

Naturalmente, a ideia que mais nos assusta é a da destruição.

Numa tentativa de fazer meu pensamento mais elucidativo, imagine o seguinte: cada pessoa, ao nascer, recebe um pedaço de terra e uma quantidade finita de madeira, tijolos, cimento, entre outros... E todos nós nascemos com o senso comum de um abrigo. Então, todos começamos na fase de construção.  Começamos por ocas simples, que cumprem o papel principal de um abrigo: proteger do mundo externo. Aos poucos, cada um de nós tem a sua primeira fase de destruição. Alguns mais cedo, quando a família desmorona - e a ideia de família é o alicerce de todas as edificações, ou quando começa a perceber que o mundo não é tão perfeito e nem justo como queremos acreditar. Nem sempre um é igual a um. Alguns demoram um pouco mais de tempo, quando eles mesmos percebem que o abrigo construído não é suficiente.

O princípio da destruição segue a ideia dos três passos:

1º) Compreensão: dos fatores externos que revelam falhas no abrigo, dos fatores internos que revelam as insatisfações pessoas com o abrigo. Visualização dos problemas, compreensão dos mesmos, buscas de respostas. Uma vez que encontramos tais respostas, vamos para...

2º) Destruição: Na maioria das vezes, deparamo-nos com problemas que ferem nossas bases de ideias. É preciso, então, destruir o abrigo atual para abrir espaço para a criação de um novo abrigo, dessa vez de acordo com as respostas obtidas na fase de compreensão. Uma vez derrubado o abrigo, finalizamos com...

3º) Reorganização: Uma vez destruído o abrigo, é preciso reorganizar os espaços, os materiais e nós mesmos para iniciarmos uma nova fase de construção.

Por definição, o que aparece brevemente acima seria "perfeito". E fases de construção e de destruição se sucederiam, formando o equilíbrio. No entanto, muitas vezes travamos em um processo.

Quando se trava no processo de construção, vemos pessoas que tentam remendar o tempo todo ideais que por si só estão fragmentados. Há um esforço sobrehumano para evitar o processo de mudança, intimamente ligada com a fase de destruição. O medo da mudança, no entanto, não evita que ela aconteça. E, em determinado momento, o meio externo provoca a fase de destruição, sem que tenhamos buscado as respostas durante a compreensão.

Há os casos em que a pessoa se contenta com abrigos minúsculos e cria novos sem tentar manter o anterior ou destrui-lo. Cria então um universo repleto de pendências e situações mal resolvidas, que comprometem o tempo presente. Isso dura até o fim de espaço de terra ou até a escassez de materiais de construção. A pessoa não confronta ideais antigos e nem reflete sobre os mesmos, provocando estagnação pessoal.

Há também crises em que a pessoa fica presa durante o processo de destruição: quando, em meio a muitos problemas, ficamos cegos para a compreensão dos nossos erros; quando a destruição necessária envolve alguma premissa que agrida nossa ética ou fira algum dos nossos conceitos mais sólidos (em geral, conceitos básicos na nossa vida, como aqueles pregados por nossos pais); quando parece não haver força para destruir algo que parece ainda não resolvido...

E o pior dos casos: quando se trava na reorganização. A pessoa sabe os problemas e os erros, sabe a solução, desmorona o conjunto de ideias antigo e tem medo de reconstruir por saber que haverá mais erros e novos processos destrutivos. A pessoa fica a mercê das chuvas, do frio, do calor escaldante, sem ter no que se amparar.

O equilíbrio temporal é quando você gasta o tempo necessário em cada fase, sem se prender a nenhum processo. Se você percebe que está estagnado, avalie em que parte do processo você se perdeu. Faça-se as perguntas certas. E as respostas podem ser as mais simples do mundo.

Se acha que não tem mais força, pense em quanto se esforça para se manter estagnado. Acredite, é necessário mais força para conter o tempo do que para viver o que cada um de nós precisa viver para chegar até o final de tudo.

2025/05/11

Revelação

Foi na primeira semana de abril que Júlia explodiu, ou, como dizem por aí, "aguentou foi muito". Depois de perceber o quão ridícula era a situação de ter passado quase todos os recreios do mês de março no banheiro, sentiu que era necessário dar um basta. Encarou a porta da 22A e resolveu saiu.
- Até que enfim veio me contemplar com o ar da sua graça - sorriu Vinícius.
Bufou:
- Em primeiro lugar, eu não contemplo nem você e nem contemplo você com nada. Esse "verbo" está totalmente fora de propósito.
- Tá estudando regência? Sou péssimo, me ensina? - ele a circulou.
Júlia desviou e, em vez de se sentir acuada e prensada contra a parede, tentou imaginar que, em vez de Vinícius, era Hiroshi quem estava lá. Isso lhe deu segurança para fazer o oposto - Em segundo lugar... - enquanto falava, ela o intimidava, fazendo-o recuar até o corredor aberto -, você não vai me cantar, nem dizer o que fazer, nem respirar o mesmo ar que eu. Você vai esquecer a minha existência e procurar outra pessoa para perturbar.
- Que agress...
- CA-LA-DO! Agora é você quem vai me ouvir: eu tentei ser legal, e ser legal não quer dizer que estou te dando mole.
- Eu adoro você zangada.
- Você vai fazer o favor de sumir da minha frente. Eu tenho um total de zero interesse na sua pessoa. Você é insuportável! Você é só um cara que não sabe ouvir um "não". Então, some!
Ouviram-se burburinhos no corredor. A menina não percebia que seu tom de voz ia subindo, chamando a atenção de quem estava dentro das salas também.
- Você vai se arrepender, porque o Alvaro não está nem aí pra você.
- O que o Alvaro deixa ou não de pensar sobre mim não diz respeito a você. Você não é meu prêmio de consolação - ela sentiu um alívio em falar tudo de forma tão explícita, como se tirasse um peso do coração - Se o Alvaro não gosta de mim, é problema MEU. Se eu sou apaixonada por ele desde o oitavo ano, o problema é MEU! Não é porque ele não me corresponde que eu vou ficar com você. Entendeu?
Os olhos de Vinícius deixaram de encarar Júlia para fitar a porta da 22A.
- Você gosta de mim? - era a voz de Alvinho.
Júlia gelou. Ela havia se exaltado, ela havia gritado, na verdade, e nesses berros ela anunciou aos quatro ventos que ela era "apaixonada por ele desde o oitavo ano". Sem saber como reagir, ela não conseguia virar de costas para encará-lo.
- Sim. Desde... sempre.
- Eu nunca soube.
Os olhos dela ficaram úmidos, sentiu seu corpo tremer, abaixou a cabeça e disse num sopro de voz:
- Todo mundo sabe. Eu achei que você soubesse.
O corredor foi tomado de silêncio. Vinícius, percebendo que estava realmente sobrando, deu-se por vencido, virou-se em direção às escadas e abandonou o pavilhão. Restaram apenas três turmas de segundo ano observando o não-casal em destaque.
- Eu. Não. Sabia - ele respondeu, em choque.
Júlia respirou fundo e, numa tentativa de se recompor, girou em direção ao amigo e, num sorriso meio condescendente, respondeu:
- Não é nada de mais. Eu gosto de você. Muito, aliás. Tanto que eu sei que tá tudo bem você não gostar de mim também, desse jeito.
- Mas... - ele continuava travado como se algumas engrenagens na sua cabeça não mais funcionassem.
O sinal do término do intervalo tocou, no entanto ninguém se mexeu. Havia tensão demais.
- Vamos voltar - ela suspirou - Já vai começar o tempo de biologia. O professor Carmo já vai...
- Eu gosto de você.
- Quê?
- Júlia, eu gosto de você.
- Aeeeeeeeeeee, finalmente!!! - surgiram alguns berros no corredor, mas eles não ouviam.
- Alunos, pra sala! - o inspetor Macedo gritou.
Júlia e Alvaro não se mexeram.
- Você o quê?!
- Olha, eu não sei o que fazer a partir de agora, mas eu gosto de você também. Eu sou louco por você desde o oitavo ano!
Ela estava perdida. Como tudo havia extrapolado todas as expectativas e se transformado em questão de minutos. O mundo inteiro havia girado e ela, que só queria paz e sossego do seu perseguidor, acabou se confessando para seu amor, até então, platônico, e acabou descobrindo que era correspondida. Era muito para assimilar.
- Ok - foi tudo o que conseguiu falar.
A feição dele também era de puro pânico.
- A gente tá parecendo idiota agora, né?
Ela assentiu.
- Depois da aula?
- Depois da aula.
- Até que enfim, &%*#!! - foi o comentário final no corredor.

* * *

- Eu só não gostei da parte de você imaginar que estava falando comigo para finalmente vencer seu inimigo - protestou Hiroshi.
- Não, você não tem nada a ver com ele... É só que é mais fácil pra mim gritar com você - brincou Júlia.
- Não sei se é um elogio ou algo para protestar - ele riu, com o orgulho um pouco ferido - Mas estou orgulhoso de você. Já não era sem tempo para se livrar daquele atraso de vida.
Ela sorriu.
- Então vocês estão namorando?
- Sim - ela riu, como uma criança comemorando o Natal - Eu acho. A gente meio que não conseguiu definir isso, e também eu acho que meus irmãos vão ser contra, então...
- Eles vão ter de se acostumar com isso, de qualquer forma. Mas e você? Como se sente?
- Feliz, eu acho.
O mago ficou feliz por ela.
- Até que enfim! - ele brincou - Já não aguentava mais esse chove e não molha. Bem, sem querer estragar sua alegria, mas você vai encarar uma missão nova hoje?
- Acho que não. Eu só queria conversar com você e lhe contar a novidade. E vão começar os testes... preciso estudar.

2025/05/08

Eu tive um sonho, vou lhe contar, eu me atirava do 8º andar

Não, este não é um post suicida. Também não é um post musical, embora seja do meu prazer duvidoso o hábito de brincar com as letras das canções que marcaram (positiva ou negativamente) a minha vida.

Este post é sobre um ato heroico. E eu juro que quando escrevo de acordo com o Novo Acordo Ortográfico, sinto uma angústia ao ver a palavra heroico. Parece que estou escrevendo um polissílado. Mas se assim o fosse, seria um hiato tônico, né? (Pausa para buscar no Google sobre hiatos tônicos para ver se não estou pensando besteira). Então, fato, se fosse um hiato tônico, esse "i" seria acentuado. Então o acento só marcaria mesmo que era um ditongo aberto... Ok. São quase 1 da manhã e estou aqui pensando sobre regras de acentuação, quando eu deveria estar escrevendo sobre o que aconteceu em Aldebaran. Não, sobre o que aconteceu em Taurus.

Daqui a 20 dias vai inaugurar um server latam oficial de RO. Seria uma chance de rebootar o bRO. Mas, cara, apesar do meu fetiche por Ragnarök Online - e um pouco de curiosidade, afinal, eu tive um histórico muito intenso com ess jogo -, só a ideia de instalar algo da Gravity no computador já me dá um p desânimo e uma preguiça mental. Pior que eu sei que, se não fosse a pane de toda vez que eu abria aquele jogo, eu perdia uma porta USB do meu computador da época (vida longa à Selece), ainda teria jogado por muito tempo. Não, não era saudável. Mas me rendeu bons personagens, algumas histórias envolventes, traumas, desilusões, piadas internas, distúrbios mentais e de sono. Enfim, uma salada.

E eu não consegui ainda alavancar os 28 dias. Mas uma hora sai. Monossílabo. Sai. Saí já é um hiato tônico.

Quando o Hiroshi abre mão do que sente pela Júlia, é uma parada muito louca. Eu penso que o relacionamento dos dois vai ser um slow burn, mas sem ser aquele nada acontece feijoada. As dicas estarão ali, o tempo todo... Começa com a parceria e as brigas. Depois vem um pouco do ciúme e da insegurança da Júlia. Rola o beijo sem pensar que o Hiroshi dá nela, e os 40 dias de chuva. Depois tem aquelas intrigas de sempre, Júlia tentando processar, Hiroshi passando aos poucos a vê-la por outro prisma. Pensem que o Hiroshi seria um pouco como deveria ser o Edward Cullen, um cara com 17 anos há 100 anos. Ele deve achar a Ju insuportável, porque ela é só uma adolescente mimada. Mas minha ideia é que a ingenuidade, a intensidade dela acabem relembrando o Hiroshi do que é ter algo para nortear. Ele já se acostumou com a ideia de ficar preso em Idrahala, já não tem mais nada a perder e nem sabe se haverá algo para voltar. Ao contrário do Fabicho que é louco para voltar, porque está preso há bem menos tempo que ele.

Então, no início, ele vai com ela em missões para Taurus e tá defecando para a possibilidade de ela ser a menina que vai cumprir a sua sétima missão. Só que aos poucos, ele começa a se sentir inseguro sobre o que sente por ela e passa a arranjar desculpas para não ir junto dela para a cidade. Ele vai arranjar algo que o atrase, vai combinar de encontrar com ela lá, vai pegar um portal sozinho fingindo que tá deixando ela largada para trás. No fundo, ele passa a ter medo de cumprir sua última missão.

Então, lentamente, ela vai deixando de gostar do Alvaro e vai sentindo coisas pelo coiso. Ele vai se tornando mais amável, embora eternamente implicante. Os dois começam a ter quase a conversar por telepatia e um começa a imaginar o que o outro faria ou falaria diante de uma determinada situação... Bem slow burn. Até que ela se declara pra ele. Eu quero que a Júlia tenha a iniciativa, que ela abra o jogo, ponha a cara a tapa, porque eu quero que seja conduza as suas escolhas, sabe? Seria o contraponto com aquela Júlia do início dos livros, que é insegura, que mapeia tudo o que o Alvaro gosta, mas não consegue funcionar perto dele... Eu quero que ela se ponha numa posição em que não tenha medo de se ferir, ou melhor, que até tenha medo, mas que prefira viver a dor da rejeição do que o medo de não tentar. Ela me pede isso.

E eles então vivem um pouco desse romance, com as incertezas sobre o que aconteceria caso eles se separem com o término das missões. E, claro, eu quero que, de vez em quando, a Flávia ou o Eduardo sonhem com o Hiroshi e a Júlia. Quero muito que esteja lá, nas entrelinhas. Porque eu sou cruel. Mas... enfim. Nesse processo todo, a Júlia vai ser quem mais vai se envolver com Idrahala. Ela vai ser a única que vai prestar atenção no Ancião ou descobrir sobre as ilhas e as cidades. Afinal, a Júlia vai ser a autora dos Contos de Idrahala, né? E a lenda da Ilha de Floratta, do amor impossível entre a filha de Záfir e o herdeiro de Sophie... A árvore central será a mesma árvore do pátio do EQUIP, que vai ser o portal por onde a Júlia vai transitar entre os mundos. Vão contar sobre um galho imenso que caiu da árvore num temporal, e que usaram esse galho para fazer a moldura do espelho que liga os dois mundos. Tudo conectado.

E então vem o sacrifício do Hiroshi. Para salvar a Júlia de um ferimento mortal, ele não tem outra saída a não ser levá-la a Taurus. Ele abre um pergaminho de portal e vai com ela, porque ela não fica em pé sozinha. Só que o lance é exatamente esse, a vontade dele salvá-la é maior do que o medo de nunca mais vê-la. Isso conclui sua missão. Antes de ele desaparecer, ele consegue entregá-la para a Naira, que já faz uma conexão de alma para curá-la. E então ele é arrastado para longe. Ele nomeia o vento e isso o faz sair da rota.

Quando ele vê, está em queda livre de uma altura de 12 mil pés. O vento, seu amigo de longa data, consegue ajudá-lo a planar. Só que ele não está sozinho. O mesmo vento também segura a queda de outra pessoa: um homem severamente machucado, o pai de Júlia. Hiroshi o reconhece como sendo o piloto misterioso que tentava sair de Idrahala sem fazer o pacto, então consegue se aproximar dele para que ele fosse também poupado da queda livre. Quando estão levitando sobre o chão, Hiroshi é atingido novamente pela magia da 7a missão, fazendo com que a consciência do pai de Júlia fosse parar em Idrahala, enquanto o antigo mago pula de dimensão para retornar ao seu antigo plano de origem.

É assim que a consciência do pai de Júlia vai parar em Idrahala, e foi o seu lamento que fez com que a filha fosse induzida a atravessar o espelho. Foi ele também quem criou a Paula, a arqueira quase maga amiga de Hiroshi, pensando em como a filha caçula que ele não veria crescer se tornaria. Por isso, a Paula lembra muito a Júlia, mas sendo mais moleca.

Também é assim que o pai de Júlia é encontrado quase morto e inconsciente, sem nada que o identificasse. E fica em coma por todos esses anos.

Quando Júlia finalmente consegue tirar o véu da consciência do pai e os dois se reconhecem, ela percebe que o pai está vivo. Só que isso desequilibra Idrahala e a única maneira de evitar que eles se separem novamente é ela invocar a sua última missão, ficando presa na terra mágica enquanto o pai retorna.

O herói inesperado nesse momento vai ser o Rafael, o mais novo dos três irmãos mais velhos da Júlia, que descobre os segredos dela lendo o diário da irmã. Ele aos poucos começa a entender as coisas e liga os pontos. E é assim que ele parte em busca de localizar o pai internado no momento em que a mente dele desperta em Mato Grosso do Sul.

Então, é revelada a última missão de Júlia: ajudar Idrahala a se manter, escrevendo sua história. Cada um de seus amigos escreve algum ou alguns capítulos da jornada (por isso o livro possui alguns POVs diferentes da narração de Júlia) e assim consegue cumprir seu pedágio. O livro de Júlia estava quase completo, já que seu diário sempre narrou tudo. Juntando todos os pedaços, todos aos poucos retornam para seus planos de origem. Fabicho é um dos primeiros inclusive - e isso explica os capítulos em Dã-ês.

Mas Júlia não podia deixar o Hiroshi de lado, e é por isso que tem trechos do seu escritor favorito no livro, que nada mais é que o pseudônimo usando por Hiroshi no seu mundo de origem. Ela descobre que ele se casou com a Flávia, e fica feliz que, de alguma forma, ele a encontrou no seu plano.

Por sua vez, quando ela termina seu relato, ela pergunta ao Ancião se poderia contar toda a história de Idrahala. Equilibrion permite, e ela continua sendo capaz de visitar a terra mística pela árvore do pátio da escola, sob a condição de ser uma narradora apenas, não podendo agir sobre o que acontecia lá dali em diante.

2025/05/04

Os próximos 28 dias

 Amanhã começa o próximo ciclo de 28 anos.

Tentei seguir um projeto de quaresma: não deu certo.

Tentei organizar minha vida para ser a mudança que eu quero: não deu certo.

Tentei, mas não desisto.

Nos próximos 28 dias, vamos tentar fazer pequenas mudanças, pequenas melhorias. Sem pressão.

Hoje não estou bem

Hoje não estou bem. Minha vontade é de sumir. Não consigo nem chorar mais. Não aguento mais pensar nos outros.