Mais uma vez, estou aproveitando o meu notebook para fazer backup do telefone (vai ser um longo processo, pelo visto). Enquanto isso, aproveito para dar uma leve massacrada no teclado.
Acho curioso o algoritmo das redes sociais. Entenda que, por curioso, estou cometendo um eufemismo para "bizarro, invasivo, black mirror, etc", porque acho uma invasão de privacidade do baralho. Ah, sim, eu tenho uma criança de 4 anos, então, sim, eu vou censurar os palavrões. Sou adepta ao uso terapêutico das palavras chulas, especialmente, na entonação e na força ao pronunciá-los. Mas não quero que meu pequeno papagaio repita expressões inapropriadas para sua tenra infância, então, censurá-las-ei. E faço uso da mesóclise com a mesma opulência de um ex-presidente.
Mas, voltando, desde a minha primeira postagem aqui, estou com "Meu mundo e nada mais" na cabeça. Eu adoro essa música, acho triste e profunda ao mesmo tempo que ela me dá um pouco de resignação e esperança. Não sei explicar, mas é uma música visual para mim.
Ocorre que, justamente em razão da total falta de privacidade de uma certa rede social que consagrou o termo "arrasta pra cima", que tem por hábito registrar tudo o que falamos e, em 2017, por exemplo, ofereceu propagando de Kwell enquanto conversava sobre piolho com uma amiga de trabalho... , apareceu para mim um perfil que explicava a origem da música de Guilherme Arantes.
Ela teria sido escrita quando o compositor e cantor tinha 16 anos, e foi motivada por episódios de bullying que ele teria passado quando no colégio. Ele era adiantado na escola, que só tinha alunos do sexo masculino, e foi perseguido.
Obviamente, fui pesquisar sobre isso, porque eu não gosto de replicar histórias sem checar a veracidade. Para postar aqui, deixo o seguinte link para quem quiser acompanhar: https://globoplay.globo.com/v/9829695/ , na declaração do próprio em uma entrevista com Bial.
Devo confessar que isso mexeu tanto comigo, porque eu me vejo muitas vezes em questionamentos sobre os problemas em ser adiantado na escola... Mas só quem sabe o que se passa na minha cachola entende como isso mexeu comigo. Um dia, com calma e com cautela, tento abordar sobre isso.
Então, dada a "coincidência", eu precisava revisitar o primeiro post para comentar a coincidência de fato (sobre bullying e tristeza adolescente). E também comentar como uma cacofonia foi maravilhosamente usada neste música. Pausa para realmente enaltecer essa lindeza:
"Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz
Que eu tinha"
Esse jogo de palavras que brincou com "só sobraram" e "soçobraram" (fazer perder ou perder-se; fazer fracassar ou fracassar; aniquilar(-se), arruinar(-se)). Sério, que coisa mais linda! Eu me emociono quando vejo que isso foi plenamente intencional.
Cada vez mais essa música se desdobra.
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